quarta-feira, maio 3

no banco da frente, uma maçã é trincada sucessivamente. o barulho da casca a rasgar e os dentes a mastigar. nhac nhac nhac. uma mulher olha a vizinha com ar incomodado. talvez as dentadas estejam muito próximas do seu ouvido. ela nada mastiga.
Eu brinco com uma pastilha de morango. nhac nhac nhac. faço balões. alguns mordo e rebentam no encontro com os caninos. outros crescem e explodem no limite. a mulher ao lado da maçã dilacerada não repara. está concentrada na luta da vizinha em chegar ao caroço. nhac nhac nhac. faz cara de má. acha decerto abusivo aquele prazer. a mulher que trinca a maçã está alheada de tudo. apenas lhe interessa continuar a rodar a casca avermelhada. nhac nhac nhac.
pergunto-me por que mastigo esta pastilha. não sabe a nada. era de morango, sim. agora é só uma coisa peganhosa que se me cola aos dentes. há quanto tempo não como uma maçã? e a mulher com cara de má? essa nada mastiga.
nhac nhac nhac. engole. nhac nhac nhac. engole.
espero pela minha saída para lançar esta massa disforme no lixo. quando chegar a casa, verei se há maçãs.

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9 Comentários:

Às 6:42 da tarde , Anonymous Rider on the storm disse...

you wrote this?

 
Às 8:58 da tarde , Blogger sandra disse...

O_o

 
Às 3:59 da manhã , Anonymous Rider on the storm disse...

Foi apenas uma pergunta... era só curiosidade em saber quem tinha escrito...

 
Às 6:17 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

se não tem nome do autor é porque o texto é meu :)

sandra (becks)

 
Às 8:29 da tarde , Anonymous Rider on the storm disse...

Ok! anonymous aka sandra (becks)?

 
Às 11:34 da tarde , Blogger sandra disse...

sim, estava no trabalho.

 
Às 12:12 da manhã , Anonymous Rider on the storm disse...

Gosto do texto, mas só não o comento pois sei que seria muito descritivo... mas 'tá muito fixe!

 
Às 3:26 da tarde , Blogger ileee disse...

oh... no metro, pessoas. No metro, escandalos do subsolo, sem sol ou a margem de um assopro do vento. No metro, o movimento.... e o caroço de uma maçã a despir-se. Os olhos observadores de uma cabeça vazia, e a tua massa descolorida dos corantes. No metro, onde as perguntas ao cosmo reflectem-se no pensamento vago:
Quando teria sido comprada a maça? e a chiclete? tudo é comprado qd a compra é mastigável... Para onde se vai, no metro? E por fim... qd tudo se compra, dizemos ao acaso... q faltará comprar? Se comeres uma maça, diz-lhe q eu deixo um beijo sem preço onde os teus dentes n mastigam... podes bem guarda-lo para sempre.

 
Às 4:06 da tarde , Blogger sandra disse...

:)

é um prazer ler-te. beijos

 

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